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24 de abril de 2013

Atestado de morte


Era mais um dia daqueles no escritório, papéis jogados um em cima do outro, canetas das mais variadas cores espalhavam-se pela minha mesa, telefones tocavam de cinco em cinco minutos. Estava tão cansado que entraria em convulsão se faltasse mais de dez minutos para ir embora e aliviar minha alma daquela rotina massacrante que me aprisionava todos os santos dias. Não aguentava mais, não mesmo. Jurei que naquele dia eu iria extravasar, extrapolar meus instintos e vontades, acabar de vez com tudo o que sufocava. Era sexta-feira e resolvi ir à uma boate, não que fosse algo que gostasse, mas como naquele dia decidi que faria algo aposto ao que sempre faço, foi isto o que me pareceu algo sensato a fazer. Fechei todas as portas e janelas do local aonde passara minhas últimas seis horas, já me sentia aliviado só por partir, até breve rotina, trabalho, papéis e canetas espalhadas, ou não. 

Chegando em casa, vi que meu quarto não era tão diferente, também se encontrava em um péssimo estado. Percebo tarde demais estar com ódio pelo fato de minha pizza da semana passada estar mofada e incomestível. Como estava quase totalmente sem roupas decentes, resolvi tomar um banho frio e colocar a primeira que aparecesse pela frente, por sorte não estava tão horrível. Sem mais delongas, me deparo perguntando em qual bar eu deveria ir, resolvi por aquela que me parecia ser um antro de perdição, eu precisava daquilo, buscava aquilo. 

Chegando lá, me perco no bar, bebo uns drinques e fumo alguns cigarros, o que não estava percebendo eram os olhares que estava recebendo, um tanto quanto anormal, por seu eu. Vindo de mulheres, no plural, engraçado como isso hoje não faz sentido, mas isto é assunto para mais tarde. Olhava as mulheres como pedaços de carne, sabe, estava atônito por uma delas, ou poderiam ser duas, ou três. Que venham todas. Mas infelizmente não vieram. Já estava grogue a meia-noite, e resolvido ir embora, estava pagando a conta ao garçom, que por sinal não tinha saído nada em conta. 

Quando do nada, de uma forma indescritível, eu a vi, pele morena, cabelos negros, e olhos verdes, era ela, Gabriela. Seu corpo fazia curvas ao caminhar, seus lábios moviam-se de uma forma que eu nunca tinha visto igual, era única como o amor verdadeiro. Era amor, no instante que a vi soube, não pode ser, nunca acreditei nisso. E eu estupidamente não consegui controlar, a despi com os olhos, a desejei com toda a força e virilidade do meu ser, e não foi pouco. Ela se interessou. Eu pirei. Ela sorriu. Eu não. E ela se intrigou de como era possível um homem não demonstrar interesse, isto jamais havia acontecido, me contara ela em outra conversa. Veio até mim e perguntou o porquê de te-la ignorado. Eu ininteligível, consegui apenas dizer um “ãhn”. Então sorriu novamente e eu soube que ali tinha assinado meu atestado de morte.

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