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1 de fevereiro de 2015

Ali eu me apaixonei por você, e aqui eu me despeço. - Por Camila Resende

   Você era só uma noite, mas noites se passavam, e horas se tornavam dias e dias se tornaram meses. E aos poucos cada pedaço do que sou pertencia a você. Sua constante presença em meus pensamentos não me assustavam, mas me confortavam e até tornavam meu dia mais bonito. Lembro do que pensei quando te conheci, naquela biblioteca, você estava lendo Jane Austen e bebendo scotch puro malte, definitivamente chamou a atenção de uma jornalista recém formada, com sérios problemas de curiosidade e de alexitimia. Hoje me pergunto o que teria acontecido se eu não fosse perguntar o porquê daquela cena particularmente peculiar. Você me disse que era porque tinha achado no ponto de ônibus e depois como se eu não estivesse presente, somente voltou para sua leitura. E qual não foi minha surpresa quando meia hora depois você se sentou ao meu lado e me perguntou meu nome. Bom, sei que estou divagando, e que isso não tem importância agora, e também sei o perigo de usar o “e se”, mas cada vez que escrevo sobre nós é como se eu libertasse essa memória para a vila do esquecimento e abrisse espaço para novas histórias.
   Você fazia a vida parecer simples, como se nada não pudesse ser curado com uma dose de café, você me olhava de um jeito que eu sabia que eu era sua e você era meu, você tinha uma sorriso único no mundo, você sorria com os olhos, você aguentava pacientemente minhas maratonas de america’s next top model e ainda fazia a melhor comida do mundo.
   Você não era perfeito, ninguém é, você tinha defeitos, e ao contrário da crença popular, para amar uma pessoa você não tem que amar também seus defeitos e seus gostos bizarros. A gente aceita simplesmente, porque sabemos que também temos nossos defeitos. E sim, às vezes eu queria te matar por suas manias estranhas, mas no fim, eu deixava passar, aprendia a conviver.
   Nos amamos da forma mais linda que se pode amar alguém, não era aquele amor corrosivo, não era aquele amor de amigo ou muito menos amor exigido. Era do tipo simples, do tipo para durar para sempre, do tipo que nos tornamos pessoas melhores juntos. E isso é o que mais dói, eu lembro da nossa promessa de nunca partir. Mas eu parti, e se isso serve de consolo, foi a coisa mais difícil que eu já fiz. Não sei se existe mais de uma amor verdadeiro por pessoa, não sei se é possível termos mais de uma alma gêmea, não sei quando sentirei isso que você despertava de novo, mas fé é tudo que me resta.
   Por favor entenda, eu tinha que ir, eram meus sonhos, e eu nunca me perdoaria se perdesse essa chance. Dizer sim para a felicidade às vezes significa dizer tchau para pessoas que amamos. Ainda te amo, mas não sei como será minha vida daqui para frente, não sei como vai ser quando nos vermos de novo e nem ao menos se pelo menos mais uma vez irei te ver. Mas isso não me assusta, sei que por mais magoada que eu esteja, existe um mundo inteiro pronto para mim, um mundo que ao poucos, com a passagem das estações, irá me mudar.


   Com amor, eu.

2 comentários:

  1. Que texto lindo! Um pouco triste, mas não perdeu a sensibilidade inicial. Conseguiu me prender, muito envolvente, adorei!

    http://listadasnuvens.blogspot.com/
    http://fragataminerva.blogspot.com/

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  2. Lindo texto! As vezes partimos, sentimos saudade, e nem sempre sabemos se é recíproca, na verdade. Mas como você disse, temos o mundo, e a partida se torna necessária. Beijos
    Desfocando Ideias

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A leitura é uma porta aberta para um mundo de descobertas sem fim. - Sandro Costa

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