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30 de setembro de 2013

Coluna do Escritor #7: E Aí, Eu Te Vi - Alessandra Santarosa

{A "Coluna do Escritor" é uma coluna onde divulgamos o trabalho de escritores nacionais. Se você escreve textos/crônicas, pode mandar pra gente através da aba Contato do blog ou pelo e-mail (viciadas-em-livros@hotmail.com). Se gostarmos do seu texto, ele será publicado no Viciadas em Livros juntamente com o seu blog (se tiver) e redes sociais. Saiba como enviar a sua crônica aqui.}

É isso mesmo, gente! Podem comemorar, porque a Alê Santarosa mandou mais um texto pra gente! HAHAHAH Ok, eu já comentei nos outros posts da coluna que sou super fã dos textos da Alê, né? Sou simplesmente apaixonada por eles! E depois que eu comecei a ler as fics dela fiquei ainda mais animada pra ler e resenhar elas pra vocês! Pra quem não viu o post em que resenho a fic dela, December 17th, vou repetir a notícia agora: vou começar a resenhar fics pra vocês e estou lendo algumas tão legais que eu estou super empolgada pra mostrar essas maravilhosas histórias a outros leitores ♥

Mas antes de mostrar pra vocês o maravilhosos texto que a Alê escreveu, vou dar alguns avisos já que esqueci de fazer isso no post anterior: 1) Eu não abandonei o Trecho de Terça, tá? Eu sei que não posto ele há muitas semanas e faço questão de dar uma justificativa: eu estou lendo o mesmo livro há semanas, gente! E não, não encontrei nenhum trecho de certa forma "especial" pra postar pra vocês. Isso me irrita, porque eu estou com mais de 10 livros aqui pra ler, e acho uma injustiça fazer com que Meg Cabot e Sophie Kinsella esperem mais de 1 mês, tsc tsc. 2) Sim, sim, vai sair MESMO uma entrevista com a Alê na semana que vem! Segurem-se, porque terão muuuuitas perguntas, principalmente sobre as fics dela! Já estou com algumas perguntas em mente, mas vocês só irão saber quais são elas quando publicar a entrevista aqui, sinto muito!

Agora chega de enrolação e vamos ao que interessa: o texto!

•••

E aí, eu te vi


"Piadas intercaladas, conversa fiada e palavras trocadas. Risadas ecoavam pela ruela e braços se erguiam alto o suficiente para pedir mudanças imediatas. Uma combinação esplendorosa de cores e uma diversificação inimaginável de vozes e tons e gritos de guerra. Os pés já estavam doendo e as costas pediam arrego depois de horas de uma pacífica guerra civil. Estômagos roncavam dentro de cinco corpos e dez pegadas de cada vez rumavam por ai, em busca de um encerramento. Eu? Eu não tinha nada na cabeça, além de conclusões infames sobre a noite que passara e protestos sobre o que protestaram.
Era pra ser um dia importante. Para uma nação, não para mim. Era pra ser um dia que seria marcado para o futuro. Da nação, não o meu. Era pra ser um simples dia. Forte, puro, colorido e marcado na memória. Um dia que daria pra lembrar e tirar boas memórias junto com as amizades para mostrar aos que viriam.
E aí eu te vi. Eu te vi e admito que não foi esperado. Não foi programado. Foi simplesmente… Assustador. Foi bizarro e foi engraçado. E por mais que eu tente me lembrar, não consigo recordar exatamente o que eu senti. Não lembro se meu estomago embrulhou ou se meu coração parou. Não lembro se tive falta de ar ou se eu pensei em dar meia volta e fugir. Só lembro que milhões de coisas vieram à minha mente e eu só consegui dar uma ajeitadinha no cabelo, como se aquilo resolvesse o ninho de passarinhos que ele tinha virado. As pessoas sempre dizem, e eu sempre digo, que você só vai encontrar quem quer encontrar quando não quiser encontrar mais. Não é que eu não queria te encontrar, mas eu já tinha me conformado que ver você de novo era coisa para outra vida.
Pensei por tantas noites e tantos dias, por tantos meses e anos como seria te rever. E o destino no qual eu já tinha desacreditado fez acontecer ali, naquela esquina escura daquela noite que tinha sido tudo menos normal. Eu tinha o rosto pintado pelas marcas de uma revolução e trazia nos braços uma súplica por mudanças. E entre cem mil pessoas, o mais engraçado foi ter te feito o responsável pela maior mudança que aquele dia teve para mim. Não foi como eu tinha pensado que seria. Não teve fulgor. Não teve paixão. Não teve paz, não teve vontade de chorar. Teve uma aproximação repentina, um grito de um conhecido e a presença de vários estranhos que ali, nada significavam. Vinte de junho deixou de ser verde e amarelo, cheio de amor à pátria e vontade de gritar, para se tornar uma coisa insossa, rápida, estranha e desconfortável.
Teve dois meros conhecidos se revendo. Teve mais educação do que a vontade de gritar tudo o que estava entalado. Teve o carma intervindo para fazer o pior momento se tornar O momento. Teve segundos de algo que poderia ser facilmente esquecido. Teve um abraço que não representou direito a saudade e um olhar que não mostrou suficientemente a tristeza que estava ali. Teve nada. Teve o que teve. E o que teve? Teve o seu cheiro que fez questão de impregnar minha memória e demorar para sair. Teve um olhar constrangido e um sorriso abafado. Teve uma piadinha boba lá no fundo, e olhares curiosos. Teve um papo curto e uma despedida mal feita. Teve uma rápida olhada e teve a falta de atenção aos detalhes que eu tanto queria ter recordado. Teve um monte de sentimentos meramente implícitos. 
Aí de repente, me dei conta que estava tudo o mesmo. Quase nada tinha mudado mesmo que tudo tivesse mudado.
Só o sorriso. O sorriso estava diferente do meu sorriso. Era um sorriso simples demais. Um sorriso que falava mais do que sorria. Um sorriso sem graça – mas não sem graça de sem graça, mas sem graça de envergonhado. Um sorriso que falava absurdos pedia desculpas e se perguntava “como viemos parar aqui?”, “por que logo aqui e logo agora?” e gritava “por que você sumiu?” “o que foi que realmente tivemos?”. E a resposta foi: nada. Foi nada porque não tinha mais nada para dizer. Não tinha como entender. Era destino? Porque coincidência não era. Era Deus? Porque a ciência não fora responsável por isso. Foi difícil entender como um utópico momento de reencontro nem mesmo fez minhas pernas tremerem. Foi a adrenalina? Foi anestésico demais para isso acontecer?  Ou será que elas tremeram? Será que ar faltou e eu não percebi? Parece que um dia que era pra marcar e ser colorido tornou-se um borrão na minha cabeça e vai para sempre ser uma incógnita impossível de desvendar se o outro lado não me der um valor real.
 Só consigo me lembrar daquele sorriso. Só consigo discutir com minha consciência. Só consigo gritar comigo mesma para tentar me impedir de cometer o mesmo erro novamente. E depois de tanto gritar, acho que só consigo rebobinar as imagens e concluir que o que foi, já foi. E não acredito que tenha mais algo para ser. De alguma forma, entre cem mil pessoas, você apareceu. E de alguma forma, te rever fez o que eu queria fazer há muito tempo: fazer você desaparecer. Esmaecer lá no meio. Lentamente. Da mesma forma que uma multidão caminha rumo ao seu destino final. Até que se dispersa e acaba de vez."
Alessandra Santarosa

 Ah, e se vocês quiserem conhecer melhor a Alê, aqui vão algumas redes sociais dela:
 Twitter | Blog | Wattpad

Quem já passou pela Coluna do Escritor: Camille Carboni e Marcella Ribeiro

Leia os outros textos da autora publicados na Coluna do Escritor clicando aqui. Não deixe também de ler suas fanfics e participar do grupo delas no Facebook.

Então é isso, pessoal! Até o próximo post. xx ♥



3 comentários:

  1. Uma pena que não vai ter trecho de terça :(
    Eu estou muito ansiosa ler a entrevista com a Alê. Eu li December 17th e simplesmente é maravilhoso!
    Essa é a segunda fic que leio dela e cada vez me apaixono mais! É incrível como momentos históricos do nosso Brasil faz os escritores terem a brilhante ideia de criarem brilhantes histórias!
    Parabéns Alê *-*

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  2. Que lindo *-* a Ale tem mesmo o dom pra isso,desejo muito sucesso pra ela.
    Um beijo.

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  3. Ainda não tinha lido essa coluna e achei muito boa a ideia de divulgar escritores nacionais. E todos escrevem muito bem(:

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A leitura é uma porta aberta para um mundo de descobertas sem fim. - Sandro Costa

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